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Controle e Confiança: Cada um precisa estar no lugar certo!

Publicado: maio, 2017

Parece estranho, mas as pessoas que dão desfalque nas empresas são aquelas que “são de confiança” justo porque quem “não é de confiança” não tem acesso a recursos para desviar.

É muito comum nas empresas brasileiras de pequeno, médio e até de grande portes, encontrar pessoas em funções vitais do negócio por serem de confiança dos proprietários ou da diretoria. Isso não tem nada demais, o que agrava é que essas pessoas ocupam essas posições justamente porque os controles são falhos e a empresa opera baseada na confiança e não no controle.

Em minhas palestras sobre o tema, acabei forjando uma frase para exemplificar a situação: “Controle é na empresa, e confiança no casamento, se trocar de lugar é confusão certa!”. Isto configura de forma um pouco sarcástica, que a inversão de posição dessas coisas pode gerar graves problemas, como por exemplo, o marido chegar em casa tarde e ser recebido pela esposa com uma planilha nas mãos controlando todos os horários de chegada dele durante o mês, enquanto na empresa alguém assina cheques, faz pagamentos, manuseia dinheiro, estoques e valores apenas por ser de confiança da empresa, sem controles efetivos. Obviamente são duas situações potenciais geradoras de graves problemas, mas a maioria das pessoas vê gravidade apenas na primeira.

A confiança na empresa é necessária, mas jamais deve substituir o controle e sim estar em acréscimo a este, porque qualquer pessoa honesta exige que se tenha um controle mínimo pelo menos para que em situação de dúvida, possa pelo menos provar sua honestidade, caso contrário pairará a dúvida sobre seu caráter. Pessoas de confiança que não gostam de ser controladas merecem atenção, não existem razões para tal comportamento, então nesses casos é bom ter cuidado porque infelizmente o caráter predominante em nossa nação não é forjado nos melhores referenciais de ética e os limites do certo e do errado são bastante turvos em nossa sociedade, fatores estes que já fizeram negócios promissores experimentarem a bancarrota por desvios e mal versação dos recursos da empresa.

O controle custa caro? depende o que se tem por caro! O grande desafio nesse caso é saber qual o custo real de não ter controles! Quando não se tem noção de quanto se perde por não ter controle, é óbvio que o controle fica caro, mas nada melhor que ter a certeza que tudo o que a contabilidade registra é verdadeiro e que em tudo o que se tenha visibilidade, os números de custos, receitas e demais valores e referências vitais para o negócio são plenamente confiáveis porque provém de fontes confiáveis do processo administrativo e devidamente controladas.

Se ainda alguém achar que o controle na empresa é dispensável e que apenas uma pessoa de confiança resolve, é bom refletir que mesmo no casamento onde se deve ter plena confiança, todo cuidado é pouco, pois mesmo assim surpresas negativas acontecem, então é importante que controle e confiança tenham boa convivência e a dose certa em ambas as situações